quinta-feira, 25 de abril de 2013

Suspeitos de atentados em Boston agiram sozinhos e por motivos religiosos


Washington, 23 abr (EFE).- Os dois suspeitos dos atentados em Boston agiram sozinhos, por motivos religiosos e movidos pela rejeição às guerras dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão, segundo dados da investigação divulgados nesta terça-feira e depois que o mais novo dos irmãos admitiu que ambos colocaram e detonaram as bombas.
O caçula Dzhokhar Tsarnaev, de 19 anos, permanece internado no hospital Beth Israel, em Boston, e seu estado melhorou de "grave" para "propício", segundo o último boletim médico divulgado hoje.
O jovem, entubado desde que foi internado na sexta-feira passada após ser detido, começou a falar, segundo a emissora "ABC".
Ele está se comunicando desde o domingo com os investigadores federais por escrito e através de gestos, já que tem lesões na cabeça, no pescoço, nas pernas e em uma mão produzidas aparentemente durante o tiroteio no qual morreu na sexta-feira seu irmão Tamerlan, de 26 anos.
De acordo com fontes oficiais citadas pelo jornal "The Boston Globe", naquele mesmo domingo Dzhokhar contou aos investigadores que ele e seu irmão colocaram e detonaram as duas bombas que explodiram durante a popular maratona de Boston, no último dia 15.
As explosões mataram três pessoas, entre elas um menino de oito anos, e deixaram feridas outras 282, segundo dados da Comissão de Saúde Pública de Boston divulgados hoje.
Segundo Dzhokhar, ele e o irmão mataram também um policial universitário na noite de quinta-feira, três dias depois dos atentados.
Dzhokhar confessou os crimes no domingo, antes de lhe serem lidos seus direitos básicos, conhecidos como "Miranda rights" e que incluem o de não falar com a polícia sem um advogado presente.
Nestes dois dias de interrogatórios no hospital, agentes do FBI também concluíram que os dois irmãos, de origem chechena, agiram sozinhos, que não tinham contatos com grupos terroristas nacionais ou estrangeiros e cometeram os atentados por motivos religiosos.
Vários conhecidos dos irmãos Tsarnaev contaram à imprensa que Tamerlan tinha adotado há algum tempo uma posição islamita extrema.
De fato, Dzhokhar, que recebeu formalmente acusações como a do "uso de armas de destruição em massa" e que podem levá-lo a receber a pena de morte, disse às autoridades que seu irmão mais velho foi o idealizador dos atentados.
Aparentemente ambos se radicalizaram sem influência alheia, através de sites e por causa de sua rejeição à estratégia dos EUA no mundo muçulmano.
Funcionários familiarizados com os interrogatórios ao jovem disseram ao jornal "The Washington Post" que Dzhokhar se referiu especificamente à Guerra do Iraque, de onde os EUA retiraram suas últimas tropas em dezembro de 2011, e à do Afeganistão, onde os soldados americanos permanecerão até o final de 2014.
Uma análise preliminar dos telefones celulares e dos computadores dos dois suspeitos não apresentou indícios que eles tivessem cúmplices para cometer os atentados, segundo uma fonte da luta antiterrorista citada pela rede de TV "NBC".
Katherine Russell, a viúva de Tamerlan, cooperará com os investigadores, informaram hoje seus advogados em entrevista coletiva.
A jovem, de 24 anos e convertida ao islã, não sabia nada dos planos de seu marido e de seu cunhado, e se refugiou na casa de seus pais em Rhode Island, consternada pelo ocorrido.
A secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, afirmou hoje n o Senado que as autoridades aprenderão as lições dos atentados.
"Tiraremos lições (...) As aplicaremos e sairemos disso ainda mais fortes", enfatizou Napolitano.

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